sábado, 16 de julho de 2016

NOTA PRÉVIA



Enfim, depois de muita insistência, visitei pela primeira vez um cardiologista.
Uma clínica de especialidades, tranquila e bastante aconchegante, com recepcionistas gracinhas.
O cenário apresentava o clima de uma ótima experiência... Não foi!!!
Cheguei com hora previamente agendada. Não sei porque fazem isso... Fui atendido depois de mais de uma hora de atraso. Quem me conhece sabe: já fiquei irritado.
Ao adentrar na sala do doutor, um senhor de cabelos brancos ensebados, sala agradável por sinal, fui recebido com uma frieza ímpar. O homem não olhou na minha cara, balbuciando palavras que mal se escutavam.
Entendam... Não espero uma abraço carinhoso cheio de "blá, blá, blá", mensagens positivas e sorrisinho cor de rosa histérico... Seria ridículo. Espero o mínimo de empatia, como responder ao "bom dia, doutor" e um aperto empático de mãos. Afinal, a empatia é o prenúncio da cura...
Entendam... Compreendo perfeitamente a loucura da profissão...
Entendam... Insisto em não entender esse tipo de coisa...
Tudo certo. Pressão ótima. Uma batelada de exames a serem feitos. Nenhuma explicação. Nenhuma pergunta. Nenhuma resposta.
Tudo certo. O coração é um órgão, composto de musculatura e artérias.
O coração é também um símbolo ao qual se aglomeram representações múltiplas. Amor, Ódio, Paixão, Estados de Humor, representados ali/aqui.
A experiência, porém, teve utilidade: o doutor me ensinou que o coração é lugar que guarda importante sentimento, a Paciência.
Vou fazer os exames, é claro... E tentar achar um outro ser humano para mostrá-los.