quarta-feira, 15 de julho de 2015

A BOCA E A ORELHA: TRADUTTORE, TRADITORE



A Palavra pode ser considerada como a unidade da linguagem que tem por função representar partes e ideias associadas do pensamento.
A palavra falada que sai da boca, esta deliciosa traição... A palavra falada que entra na orelha, traiçoeira, marota...

Em uma conversa, encoberta pela rotina do cotidiano - e tem de ser assim para a proteção da saúde mental -, acredita-se no entendimento dos sujeitos. Mero engodo: em uma conversa, corriqueira que seja, nos desencontramos completamente, e nos esforçamos por manter a ilusão do encontro na conversa. Ali, em torno da mesa, com os amigos ou com a família, a Palavra nos come...

Não temos controle sobre as palavras que saem da boca, não temos discernimento sobre as palavras que entram pela orelha. Obviamente que existe todo o aparato neurológico, como explica o especialista de plantão da televisão; obviamente não se explica o todo...

Às vezes, a palavra tem me cansado, me cansado, me cansado... Gostaria Eu de ficar assim, a ouvir passarinhos...

Acreditamos estar passando a mensagem correta, mas somos surpreendidos pela invasão do estranho da palavra, do duplo sentido, do ambíguo em nós.
Acreditamos, de maneira bastante sem-vergonha, estar ouvindo o correto, quando direcionamos nosso ouvir para o que desejamos ouvir.

A palavra falada vem acompanhada de tons, cores, gestos, silêncios, caras e bocas a nos trair constantemente.
A palavra escrita, como a destas linhas, escapa do traiçoeiro... A palavra escrita pode ser corrigida.

No fundo, o sexual está por trás de tudo? Para o espanto de alguns, infelizmente sim... A Palavra é sexual!!!

A Palavra é sexual, magnífica, lúdica, aterrorizante, diabólica, hipocritamente disfarçada... A Palavra sensual é absurdamente maravilhosa.

Traduttore, traditore.

A Imagem, sem traições, não é traiçoeira.