quarta-feira, 13 de novembro de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O PESO DO MUNDO


"Não tenho cetro, mas tenho uma pena."
(Voltaire sobre Frederico, o Grande)

Ele estava ali, parado no trânsito, ao observar pessoas indo e vindo sem parar, algumas de pastas na mão, outras engravatadas, mas todas com a mesmo rosto azedo e molhado por um calor infernal. Pobres diabos convencionalizados na normatização do corre-corre.

Nada convencional, ele quer ser escritor. Sonha em seguir pelo percurso da Academia. Quer escrever algo que mude o Mundo em que vive.
Resiste bravamente à convencionalidade de um emprego "tipo ganhar dinheiro e nada mais". Resiste aos apelos da norma. Resiste à fusão relacional que lhe retira a individualidade. Para ele, na convencionalidade só se perde... e perde-se a si.

"150.000 soldados; ópera, comédia, filosofia, poesia, grandiosidade e graças, granadeiros e musas, trompetes e violinos, os jantares de Platão, sociedade e liberdade... quem iria acreditar? No entanto, é a pura verdade." (Voltaire em carta a d'Argental, descrevendo Potsdam)

Às vezes, a resistência perde para o peso do Mundo Convencional. É quando surge, abruptamente, a depreciação de si, enquanto sujeito - um sujeito inscrito em frase e discurso medíocres.
Mediocridade, um enorme temos pela mediocridade.
Ele quer ser grande, mas não como Frederico da Prússia. Ele quer o reinado da produção do pensamento, da escrita que acrescente algo, e que retorne em glória.

E assim, tomando uma cerveja, sentado sob uma noite de calor infernal, fica a devanear sobre o Voltaire que nele há.

Mon Dieu... E a resistência à convencionalidade volta, enfim, a ganhar força.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)