quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O MUNDO COMO MAL



Se, de acordo com a questão de Schopenhauer, o Mundo é Vontade, esta então deve nos conduzir à um oceano de sofrimentos. O Mundo aqui, pode ser considerado como o Mundo Humano, criado à nossa imagem e semelhança.
A Vontade é indicativo de necessidade - o Desejo -, que pretende abarcar um "tudo" sempre maior do que sua capacidade. O homem é assim: um desejo satisfeito cria uma infinidade de outros negados. O Desejo nunca se satisfaz, pois nada é tão fatal para o Verbo do que sua realização.

"É como as esmolas dadas a um mendigo, que o mantêm vivo hoje para que sua miséria seja prolongada amanhã."

O homem é disruptivo por natureza, pela natureza criada pelo homem. O homem é consequência de conflito, eternamente... A Vontade é faminta, eternamente...

Para nosso depressivo filósofo, a Vida é má porque a Dor é o seu estímulo e sua realidade fundamentais.
O Mundo cria a necessidade, para que esta, impossibilitada de ser satisfeita, gere mais necessidade, em um contínuo imperceptível à Consciência. O homem deve, e às vezes "quer" permanecer no campo da ingenuidade, pois esta é uma trégua no sofrimento. A Ilusão é o reboque do cotidiano e a marca d'água do Quotidiano - nosso status quo.

"Se fizéssemos um homem ver claramente os terríveis sofrimentos e misérias a que sua vida está exposta constantemente, ele ficaria horrorizado."

Nosso "viver" depende de não o conhecermos bem demais, de mantermos uma distância segura - escudo que esconde as mazelas de nós mesmos. Portanto, criamos o Otimismo - "uma zombaria amarga das desgraças do homem".

O homem foi aperfeiçoando "sistemas" de vida que, como brincadeiras de gosto duvidoso, atrofiam a Natureza.

A Vontade é um dos mais importantes instrumentos dessa tentativa de dominação da Natureza. No Mundo contemporâneo, a Vontade gera uma abominação denominada Individualismo.
EU quero, independentemente das circunstâncias que meu "querer" pode gerar no Outro.
Nada importa além de EU quero...
EU quero o que a propaganda me mostra, apesar de não perceber meu "querer" criado.
EU quero ser a "celebridade" criada e sustentada por minhas insatisfações, frustrações, recalques e auto-flagelamentos. EU quero sentar no teatro, se possível sozinho, para sozinho e midiaticamente ser mostrado para o mundo, para o Outro, assistindo o show do "Rei" - um rei deposto, pois feito sob medida por e para minhas ilusões.

Enfim... Apesar de não muito animador, o Mundo para Schopenhauer é um suspiro dentro de um suspiro.

Ironicamente, nosso filósofo desejava secretamente ser celebridade, sentar sozinho no teatro a zombar da ignorância do Mundo.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O PESO DO MUNDO


"Não tenho cetro, mas tenho uma pena."
(Voltaire sobre Frederico, o Grande)

Ele estava ali, parado no trânsito, ao observar pessoas indo e vindo sem parar, algumas de pastas na mão, outras engravatadas, mas todas com a mesmo rosto azedo e molhado por um calor infernal. Pobres diabos convencionalizados na normatização do corre-corre.

Nada convencional, ele quer ser escritor. Sonha em seguir pelo percurso da Academia. Quer escrever algo que mude o Mundo em que vive.
Resiste bravamente à convencionalidade de um emprego "tipo ganhar dinheiro e nada mais". Resiste aos apelos da norma. Resiste à fusão relacional que lhe retira a individualidade. Para ele, na convencionalidade só se perde... e perde-se a si.

"150.000 soldados; ópera, comédia, filosofia, poesia, grandiosidade e graças, granadeiros e musas, trompetes e violinos, os jantares de Platão, sociedade e liberdade... quem iria acreditar? No entanto, é a pura verdade." (Voltaire em carta a d'Argental, descrevendo Potsdam)

Às vezes, a resistência perde para o peso do Mundo Convencional. É quando surge, abruptamente, a depreciação de si, enquanto sujeito - um sujeito inscrito em frase e discurso medíocres.
Mediocridade, um enorme temos pela mediocridade.
Ele quer ser grande, mas não como Frederico da Prússia. Ele quer o reinado da produção do pensamento, da escrita que acrescente algo, e que retorne em glória.

E assim, tomando uma cerveja, sentado sob uma noite de calor infernal, fica a devanear sobre o Voltaire que nele há.

Mon Dieu... E a resistência à convencionalidade volta, enfim, a ganhar força.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sábado, 26 de outubro de 2013

TRACTATUS THEOLOGICO-POLITICUS



Em 1656, Spinoza foi excomungado do povo judeu. Sob a acusação de heresia, por ter apontado filosoficamente discrepâncias nos textos bíblicos, por ter afirmado a alegoria e a metáfora que, para o homem inculto, serviria de cabresto na escravidão do pensamento.
A sinagoga ficou em completa escuridão ao término da sentença...

"Os chefes do Conselho Eclesiástico fazem saber que, já bem convencidos das nocivas opiniões e atos de Baruch de Spinoza, procuraram, de diversas maneiras e por várias promessas, desviá-lo de seus caminhos desastrosos. Tendo em vista, porém, que não conseguiram fazê-lo adotar qualquer maneira melhor de pensar; que, pelo contrário, a cada dia têm mais provas das horríveis heresias por ele nutridas e confessadas, e da insolência com que essas heresias são promulgadas e difundidas, com muitas pessoas merecedoras de crédito tendo testemunhado isso na presença do citado Spinoza, este foi considerado plenamente culpado das mesmas. Por isso, realizada uma revisão de toda a questão perante os chefes do Conselho Eclesiástico, ficou resolvido, com a concordância dos Conselheiros, anatematizar o referido Spinoza, isolá-lo do povo de Israel e, a partir do presente momento, colocá-lo em anátema com a seguinte maldição:
Com o julgamento dos anjos e a sentença dos santos, nós anatematizamos, execramos, amaldiçoamos e expulsamos Baruch de Spinoza, com a concordância de toda a sacra comunidade, na presença dos livros sagrados com os 613 preceitos neles contidos, pronunciando contra ele a maldição com a qual Elisha amaldiçoou as crianças e todas as maldições escritas no Livro da Lei. Que ele seja maldito durante o dia, e maldito à noite; que seja maldito deitado, e maldito ao se levantar; maldito ao sair, e maldito ao entrar. Que o Senhor nunca mais o perdoe ou o reconheça; que a ira e a indignação do Senhor queimem daqui por diante contra esse homem, carreguem-no de todas as maldições escritas no Livro da Lei e apaguem seu nome sob o céu; que o Senhor o afaste do mal de todas as tribos de Israel, coloque sobre ele todas as maldições do firmamento contidas no Livro da Lei; e que todos vós que fordes obedientes ao Senhor vosso Deus sejais salvos nesta data.
Ficam, portanto, todos advertidos de que ninguém deverá conversar com ele, ninguém deverá comunicar-se com ele por escrito; que ninguém lhe preste qualquer serviço, ninguém resida sob o mesmo teto que ele, ninguém se aproxime dele mais de quatro côvados, e que ninguém leia qualquer documento ditado por ele ou escrito por sua mão."

Spinoza viveu assim, tranquilo, a escrever seus textos. Teve alguns honestos e legítimos amigos. Quase foi assassinado - mas por engano. Recusando várias prospostas de auxílio financeiro em troca de certa utilização política de seu nome, Spinoza foi um exemplo de sapiência... Seu nome ficou na História da Filosofia.

"Frequentemente, ao ver pessoas que se vangloriam de professar a religião cristã - ou seja, amor, alegria, paz, moderação e caridade para com todos os homens - discutindo com uma animosidade bastante rancorosa e demonstrando diariamente umas para as outras um ódio tão intenso, fico imaginando se não seria esta, e não as virtudes que elas professam, o critério de sua fé."

Veio a falecer silenciosamente, aos 44 anos, vítima de tuberculose - ironicamente, nascera de pais tuberculosos.
Seu grande livro, não publicado, colocou-o numa pequena escrivaninha, trancou-a e deu a chave a seua senhorio. A escrivaninha, com chave e tudo, chegou a Jan Rieuwertz, editor em Amsterdã.

Fico me perguntando se as Escolas Psicanalíticas, com seus dogmas e, às vezes, infrutíferas discussões, não possuem certa relação com tudo isso?!?
Apesar de tudo, a escrivaninha com chave e tudo, continua viajando...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: UTOPIA



Sente-se sozinha. Sente-se solidão.

Se você não quer deitar-se, sente-se.

Há outra dela que quer deitar-se.
Deitar-se em um sono letárgico, sem barulho de gente, sem barulho de criança, sem barulho algum.
O Mundo lhe vendeu ilusões de tudo perfeito e não lhe entregou. É muito difícil desiludir-se de certas instituições humanas. As instituições humanas estão falindo para ela. Seus heróis estão morrendo...

Não é justo... Ela fez tudo por eles... E agora a desligam assim, por telefone?!?

Na Utopia de Platão, a Piedade é filha da Injustiça. Em um mundo justo, não há sentido a piedade.

Há outra dela que quer deitar-se.
Deitar-se aos prazeres mundanos da carne, sem remorso, sem culpa, sem necessidade de coligações políticas com o Amor.
Cuidou do corpo. O corpo ficou bom... Desejável... Desejante...
Agora busca prazer com o corpo que ficou bom, mas nada, não encontra.

Às vezes sinto falta de carinho, às vezes não. Às vezes quero apenas um "pinto amigo". Será que não pode?!? Será que não pode ser simples assim: sexo e pronto!!! Que saco!!! Há tempos que só sou penetrada na endoscopia!!! (rsrsrs) - Um mal-estar sendo gerado no estômago...

Mas se dá conta que sente... E sentindo, vive!!!
Entre uma frustração e outra, achou brecha para um "cafezinho íntimo".

Lembra quando conversamos sobre a importância de um cafezinho?!? Você tem o teu... Acho que estou descobrindo o meu, ou melhor, como você diz, os meus!!!


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MÃE FILHA DA MÃE



O que pretendo desenvolver aqui encontra-se inserido no campo-relação Mãe/Filha, regido pela lógica do que vou denominar de "Dupla Castração".

"Ando engolindo muito sapo!!!"
Uma terrível dor de estômago a se estender por todo o abdômen. Uma mistura de má digestão com traços mnêmicos de gestação, ambas carregadas de ambivalência afetiva.
Entenda-se: a lembrança afetiva não se faz passado; o que se lembra, se lembra agora, através do percurso afetivo. A memória é sempre do "neste instante em que me recordo" - desenvolvimento de "Lembranças Encobridoras" (Freud, 1899).

"Estamos sempre a discutir no mesmo assunto: mimo, invasão, interesse econômico... Onde foi que eu errei?!? Sei que eu errei?!?"
Erro e Culpa pelo Erro, facetas do mesmo lastro de ter sido mãe de uma menina. O Erro e a Culpa aqui, são ilusões defensivas, representações a esconder a fragilidade de se ser castrada.
A ideia de um frágil feminino castrado também é uma ilusão imposta pelo processo de familiarização do lugar de se mulher no Real produtor da lógica sócio-cultural do Mundo Humano (esta nossa tão estranha casa).
A mãe se esquece com facilidade de que também foi/é filha da mãe - uma absurda "Dupla Castração" que só terá o destino alterado por um filho homem... Ilusão sobre Ilusão: o Absurdo Humano. A cura encontra-se no processo de desiludir.
"Onde foi que eu errei?!?" se faz "Onde foi que eu ME errei?!?", em uma sequência de projeções carregadas de horror e ternura: no amor da mútua necessidade da relação; na destrutividade da mútua invasão no e do corpo da outra.
Já diz o dito popular: "Filho de peixe, peixinho é..." (peixinha, no caso).
Duplo mimo, dupla invasão, duplo interesse, dupla falta de tudo, "Dupla Castração".

Lembro de Guillermo Del Toro... Assistindo "Mama" (Andrés Muschietti, 2013) - produzido por Del Toro - chamou-me a atenção a mistura perfeita entre horror e ternura. Fui me dando conta que tudo o que assisti de Del Toro contém a mesma mistura, em dose perfeita. Fiquei a pensar se não existe uma intenção de representar a "Dupla Castração"... Guillermo Del Toro foi criado pela avó...

(recado na secretária eletrônica)
"Hoje não vou... Meu coração está estressado!!!"


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sábado, 13 de julho de 2013

CULTO URRA POP


EST ET NON


Coisas com as quais Monsieur Descartes nunca sonhou (segundo abbé Baillet)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

DESCONSTRUÇÃO E CONSTRUÇÃO: O POSSÍVEL DO IMPOSSÍVEL



Para fora do Campo Transferencial, os conceitos psicanalíticos esvaziam-se em sentido. Torna-se perigoso, posto o engessamento produzido no pensamento clínico - esta arte/ficção do impossível -, a generalização de pressupostos teóricos que tendem à um autoritarismo interno do próprio ato interpretativo: acaba-se encontrando exatamente o que já se estava a procurar.
A ideia de que "há uma causa a produzir um certo efeito" pode ser fatal, caso seja voltada à realidade e não à verdade transferencial. Na verdade transferencial temos apenas "coisas que levam à coisas" (não importando a definição de "coisa" - ideia perdida num mar imenso de possibilidades).
Não é fácil a costura de retalhos, ora apreendidos aqui, ora acolá. Manter-se flutuante, como estrangeiro, é exercício difícil, contrário ao homem do quotidiano.
Desiludir-se de um saber completo é uma sina cruel à positividade imposta pelos discursos científicos, mas muitas vezes, não psicanalíticos.

A ideia de "A mãe ausente", por exemplo...
Ausente como? Ausente onde? Ausente afetivamente? Ausente fisicamente? Há a tendência de "A mãe ausente" ser "A mãe culpada". O sentimento de culpa, muitas vezes, através de refinados processos civilizatórios, incluindo interpretações analíticas, verdadeiramente criam a "ausência". Talvez onde se vê "ausência", deveria se ouvir "falta de fala", na impossibilidade de expressão afetiva.

A desconstrução de certos conceitos, principalmente na clínica, como possibilidade de construção de "outra coisa diferente do mesmo", pode fazer toda a diferença. E, é sempre bom lembrar, é do sofrimento do outro que se fala - é do sofrimento do outro que se trata!!!

Impossível? Creio que não... Mas um exercício difícil!!!


segunda-feira, 13 de maio de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: CANSAÇO



A Culpa desgasta
O Trânsito desgasta

O trânsito de estar perdido entre Lilith e Eva...

Cansado de estar perdido entre esta mulher
A Mulher: este continente obscuro e desconhecido
Afinal, o que quer esta mulher?
O que quero com a Mulher?

Estive pensando nisso, sabe!!!
A Lilith contemporânea sabe ter postura
A Eva contemporânea não é tão enfadonha assim
Aliás, quem vem primeiro: Lilith ou Eva?
Oras... Que seja!!!

Esta mulher me cansa!!!
Hoje quero estar assim, sossegado...
Apesar do eco da Mulher que não para
Não passa
Não passa


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: SE MAMÃE ME PEGA AGORA



"Ai, se mamãe me pega agora
De anágua e combinação
Será que ela me leva embora
Ou não
Será que vai ficar sentida
Será que vai me dar razão
Chorar sua vida vivida
Em vão"

Sabe, sempre tive a bunda durinha... Psiu!!! Tenho que falar baixinho. Não posso reconhecer meu corpo de mulher, minha bunda durinha... Isso mata mamãe de inveja!!! Mas aqui posso né? Digo... Encontrar-me em minha bunda durinha?!? É minha né?

"Será que faz mil caras feias
Será que vai passar carão
Será que calça as minhas meias
E sai deslizando
Pelo salão"

O que eles vão pensar de mim se me virem assim? Acho que vão pensar o que já penso e não posso pensar. Como você vive a me dizer: "possibilidades, a Verdade é feita de possibilidades". Mas não sei não... Ainda é muito forte a ideia de que NÃO POSSO PENSAR O QUE ELES VÃO PENSAR.

"Eu quero que mamãe me veja
Pintando a boca em coração
Será que vai morrer de inveja
Ou não"

Certas coisas são de puta... Sempre escutei isso dela. Quando criança, nunca pude brincar de nada... Coisas de puta. Mas o que são putas? Nunca soube direito, nem ela. Na medida certa, há de se ter uma puta em todas nós. Aquilo dos EUS em mim que você me explicou outro dia, lembra? Acho que ela adoeceu por nunca ter se dado com a puta dela!!! Ou não?!?


OBS.: Os trechos citados são de "Ai, se eles me pegam agora", da Ópera do Malandro, de Chico Buarque de Holanda. 

*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)


quarta-feira, 13 de março de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MAAT & O SAGUÃO DAS DUAS VERDADES



No Egito Antigo, na época conhecida como Império Novo (de 1550 a 1070 a.c.), proliferou-se uma fórmula de sucesso para o além-túmulo denominada "Livro Dos Mortos". Tal livro de auto-ajuda era encomendado pelo vivo com o propósito de ajudar o futuro defunto em sua viagem pela eternidade, incluindo técnicas e atalhos para alcançar-se a felicidade eterna - uma verdadeira saga, repleta de aventuras, digna dos games contemporâneos.
Na rota final, chegava-se no julgamento do falecido. No Saguão das Duas Verdades o morto era conduzido por Maat, a Deusa da Justiça, à uma balança, onde seu coração seria auferido. O candidato à Eternidade faria então, um longo discurso, declarando os motivos pelos quais detinha o direito de tal felicidade. Se o coração, ao ser posto na balança, pesasse mais que a Pena de Avestruz (símbolo da Verdade), o declarante, infelizmente, seria entregue à Ammut, o Devorador dos Mortos, como prato principal de um banquete sem fim - já que não se morre duas vezes.

O Senhor Coelho Branco vive a correr, com seu enorme relógio de bolso, sempre com pressa, sempre atrasado - participante de uma maratona sem fim. Completamente perdido e um tanto quanto letárgico, provavelmente em função de algumas garrafas de vodca para esquecer o que já não se lembra mais.
A correria é tamanha, que já não tem lugar o Senhor Coelho, perdeu a postura e a compostura para consigo. Quem é o Senhor Coelho Branco? Já não se sabe mais!!!
Imagino que o Senhor Coelho seria bom prato para Ammut...

Nestes nossos tempos de corre-corre, às vezes é de bom tom pararmos para refletir para onde estamos indo, botar na balança nossos medos e nossas possibilidades para que a Pena de Avestruz nos mostre se realmente estamos fazendo nosso viver valer à pena. A sobrevida pertence à escuridão de Ammut.

Bem... Como não sou nem egípcio e muito menos tenho afinidades com Ammut, prefiro mandar o Senhor Coelho Branco ir pentear macaco, trocar a garrafa de vodca por uma boa taça de vinho, trocar paqueras com Maat e, sentado confortavelmente em minha varanda, de bermuda e chinelo, fazer e ver a vida passar do jeito que minhas possibilidades permitem, buscando não a felicidade eterna, mas a tranquilidade agora.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O TEMPO & A TRIBO





Há de ser tempo?
Há de se ter tempo para organizar-se.
Há de se ter tempo para nós.
Há de ser tempo para que dê tempo.
Há de ser tempo para realizar-se completo.
Há de se ter tempo pomodoro.
Há de ser tempo para nada.
Há de se ter tempo para o tempo que já se foi.
Há de se ter tempo...

Há de se ter tribo?
Há de se ter tribo para identificar-me.
Há de se ter tribo para ter passado.
Há de se ter tribo para proteger-me do que realmente sou.
Há de se ter tribo para acalmar a culpa.
Há de se ter tribo para suportar o canibalismo totêmico.
Há de ser tribo para, um dia, poder estar só.
Há de ser tribo...


"The Butterfly Effect"
O Tempo do Desejo e da Cura se dá no Condicional, onde o próprio Homem Psicanalítico se modifica quando o Passado abre-se em Futuros Possíveis, propiciando o ser visto sob nova luz de possibilidades futuras.
O Tempo Condicional que representa um Futuro alternativo no Passado.
O Futuro do Pretérito, este tempo de possíveis, incertezas e realidades que estão por vir.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

domingo, 13 de janeiro de 2013

MINIMALISMOS: O OCO & A IRA



ANO NOVO, VIDA NOVA!!!

A decepção nos olhares de quem não "levou" a Mega Sena da Virada. 
Frustração de sonhos irrealizáveis... 
Mas quem não gostaria?!?

O Mundo não acabou. Os maias erraram.
O Mundo acabou para as pessoas de Xerém.
O Mundo acabou para Daniela, baleada. 
O Mundo nasceu para Gabriela.

Roberto Carlos cantando funk para alguns eleitos. 
Em seu reino particular parindo sonhos televisivos para quem não "levou a bolada"...

Pato no meio de Gaviões. 
Que não seja o prato principal, mas o parteiro de muitas alegrias. 
O Futebol ainda existe, acho... 
Ainda existe...

O mesmo Reality Show a despertar o Oco e a Ira.
"Nossos Heróis" a alimentar vazios existenciais representados pelas Rodas de Fofoca.
E as Rodas de Samba?!?

BONDAGE

50% do alimento do Mundo que não acabou, acaba no lixo.
O eco do terremoto no Haiti - realhaiti - ainda mata gente de fome.
Restos sem gesto.

A cidade está mergulhada em uma Guerra Civil?!?
Impunidade e Política.
E a Ética?!?
Gabriela nasceu...

Mas vem chegando o Carnaval, trazendo consigo a Quarta-feira de Cinzas.
Totem & Tabu.

Não, não fiz a Mega Sena da Virada.
Mas Gabriela nasceu!!!

Estou voltando de férias e o ano promete.

A Sala de Análise, graças a Deus, continua a mesma!!!