sexta-feira, 24 de agosto de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O SAMURAI QUE TOCAVA VIOLÃO

 

O MINISTÉRIO DE LÍMBIA ADVERTE: ANALISTAS FAZEM MAL À ORDEM DA LINGUAGEM
 

O que aqui vou narrar, juro com os dedos cruzados nas costas (maneira honesta do analista jurar alguma coisa), ouvi de um alquimista limbiano. Em Límbia os alquimistas assim fazem: juntam alhos com bugalhos e tiram do forno um pudim, doce "pobre de mim" ou amargo "posso sim" - tudo bem, em Límbia tudo se dá pelo avesso. LugarzINHO estranho... mas acolhedor (o destaque aqui é aliatoa).
 
Era um vez um samurai que tocava violão. Como não podia tocar com as mãos outras curvas, digo as curvas dela, tocava violão mesmo. Passava assim o tempo a cantar as cantadas que não podia dar. Tudo se passava não por opção, diga-se de passagem, mas por prisão. Nosso samurai vivia prisioneiro do terrível Império do INHO. Tudo tinha a maldição da terminação: bonzINHO, menorzINHO, sozINHO - que já não é adjetivo, mas estado de ser.
 
Estar sozinho não é solidão. Só podemos "estar com", se antes estivermos sozinhos. Estar sozinho é o caminho de "estar com". É suportar a infinitude de ser as possibilidades que temos de ser EU. Há de se ter a capacidade de estar sozinho.
 
Mas tratava-se de "estar com" Ela, outra, que não aquela que se conhecia muito bem, desde o dia do nascimento. Há de se libertar do imperativo materno do INHO, para poder "estar com" Ela Outra - nosso samurai e nós outros... há de se libertar, labutar uma separação do seio mais-ou-menos.
 
O samurai que tocava violão só com a Mãe de espectroadora.
O samurai que tocava violão só, com a Mãe de espectroadora.
O samurai que tocava violão, só com a Mãe de espectroadora.
(O MINISTÉRIO DE LÍMBIA ADVERTE: O LUGAR DA VÍRGULA NÃO ALTERA O SENTIDO)
 
"Me disseram que o senhor sabe como afiar Katana. A minha está com o fio cego. Será que o senhor poderia me ajudar?!? Preciso do fio com corte, para arrancar fora a Mãe."
 
AUTORIZAÇÃO
 
AUTO / RISO / AZAR / AÇÃO
 
Riso nada engraçado. Riso doloroso. Riso amarelo, de canto de boca.
 
Me empresta um pouco, deixa eu ver essa tua Katana.
Hum... Acho que dá... Ainda tem corte!!!
 

* DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: "Isto é Límbia,terra da ficcção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção." HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)