domingo, 24 de junho de 2012

SOBRE URUBUS & CARNIÇA



Certo dia, ao fumar um cigarrinho em minha sacada, observei algo intrigante. No alto de um dos prédios do condomínio residencial à frente, um bando de urubus se colocava a descançar (acho que deve haver um ninho ali).

O ocorrido me fez recordar que certa vez, há anos atrás, acompanhando minha esposa a uma consulta médica, em plena Av. Paulista, tive uma experiência parecida. Enquanto esperava, ao ir fumar um cigarrinho na janela do prédio comercial - ainda se podia fazer isso -, vi vários urubus pousados nos ares-condicionados do prédio em frente.

Urubus em pleno coração econômico do Brasil... Interessante!!!

Pelo que eu saiba, urubus comem carniça. Mas em plena metrópole paulista, onde a carniça?!?

Fiquei a cogitar e cogitar e cogitar, observando os urubus civilizados.

Vai ver que se trata de "massa de gente-carniça", criatura do mundo humano em colapso, numa espécie particular de representação, um regime angustiante de terror - sem armas ao certo, mas com um instrumento muito mais poderoso: o lastro econômico.

Quanto vale um ser humano?!? Quantos mercados existem para venda, troca, negociação de gente-carniça?!?
Criação bizarra e perversa de um mundo em colapso?!?

Que me desculpe o urubu-ave: agradeço à ave preta de cabeça nua que me inspirou.

Será que também sou gente-carniça?!? Será que somos?!?
E os urubus?!? Onde estão?!?
A nos espreitar lá de cima dos edifícios?!?

Cruz-credo!!!