segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MANIFESTO SOBRE O TEMPO



Outro dia fui convidado a assistir uma Colação de Grau de Colegial (no meu TEMPO era assim que se chamava - Colegial).
Fiquei a observar as meninas e meninos, de aproximadamente 17/18 anos de idade. Eu, que já passei dos 40, via meninos e meninas.
Quantas lembranças... Quantas mudanças me proporcionei em meu TEMPO passado. Mas não o teria modificado: acho que vivemos o que temos de viver... E nos lapidamos.
Um dos discursos me chamou a atenção. Uma loirinha falou sobre o Futuro, sobre o Luto de deixar passar aquela fase de vida, sobre as expectativas do que ainda estaria por vir. Emocionada, a loirinha solicitou que a memória e os amigos permanecessem ali, parados, estancados no TEMPO. Impossível?!? Talvez não...

Pensei na Psicanálise, e no quanto a Psicanálise poderia contribuir para aquelas meninas e meninos: compreensão do Desejo, das Pulsões, da Bondade, das Mazelas de ser Humano, da Destrutividade, da Sexualidade, da Sublimação... Enfim!!! Será o Analista uma "Persona Não Grata" à Instituição Educacional?!? Não consegui responder...

Apenas agradeço a oportunidade de reflexão, que me foi proporcionada por aquelas meninas e meninos que não conheço.


TALVEZ SEJA ESTA A MANEIRA MAIS RICA DE SE COMUNICAR: RESPONDER, NÃO AO QUE A PESSOA DIZ QUE É, NEM AO QUE ME DIZ QUE FEZ OU PLANEJA FAZER, MAS A COMO A PESSOA É AGORA.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: ALÉM DO ARPOADOR, UM HORIZONTE VERTICAL



Apesar de estarmos Outro, o tempo nesta sala se faz estranho, aparentemente não passa.

Faz tempo que não te vejo. É bom te encontrar Outro nesta sala de tempo estranho!!! São tantos os tempos possíveis...

Pois é, fui por aí... Estava por aí... Entre aeroportos e smartphones...
Estava por aí, no tempo que não há.
Não há tempo na correria dos aeroportos.

Você me fez lembrar de tua conversa com aquela grande pedra, lembra?!? Grande pedra perdida no meio do nada, onde você pode encontrar-se um pouco... No meio do nada!!!

Experiência incrível aquela!!! Sobre a pedra o tempo também era bem estranho. Acho que era o meu tempo!!!

A pedra te falou sobre criatividade, sobre existir de um modo criativo. Para você é uma questão de sobrevivência.

Pois é meu caro estrangeiro... Indo por aí, encontrei muitas pedras.
Resolvi voltar um pouco para nossas conversas, para esta sala, nossa pedra.

Nossa!!!

Uma pedra em especial foi muito significativa para mim: a do Arpoador.
Sabe, olhar o horizonte do Arpoador se fez uma experiência interessante. Fiquei a pensar em um mergulho vertical no horizonte. Mergulho de liberdade, libertador. Tipo a liberdade de tomar uma cerveja gelada sentado na calçada... Lembra?!?

O horizonte contém uma verticalidade... Se a Terra é redonda, vamos parar na costa africana!!!

rsrsrsrsrsrs

Acho que é um pouco isso de cuidar da sensação de liberdade... Mergulhar na liberdade... Explorar entende?!? Explorar a criatividade em mim, um pouco esquecida entre aeroportos e smartphones!!!

E aí meu velho estrangeiro?!? Topas?!?

Um mergulho com técnica chinesa do salto ornamental!!!
Seja bem vindo!!!

rsrsrs... VAMBORA!!!



*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: BARBIECURE



Não serei tua Curuminha
Não serei mais
Afinal, não serei tão boazinha assim, como você me cria e fantasia.

Não serei tua verruga, tua fístula
Não serei apodrecida.

Não serei tua mulher/mãe
Não serei um Sófocles qualquer
Qualquer um não.

Liberdade
Livremente
Livre Mente

Mente? De Mentira?

Não serei tua mentirinha
De cabelo loiro e liso
Saltinho alto, perninha fina.

Mas gosto daquela boneca
Nada tenho contra a boneca. Só não serei.

Serei a... Sereia...

Sou mais as mulheres de Jorge Amado
Amado... Hum... Gostei... Ficou bom assim.

Sereia... Gostei.
Brisada pelo vento da praia
Cabelos soltos e tocados suavemente pela brisa.

Suavemente fogosa e encantadora
Sedutoramente ingênua.
Ingênua sabe? Assim... Ser feliz sem muito medo ou pudor...

Geniosa...

E preguiçosa...
Ah... Como é bom a preguiça da praia.
Brisa, biquini, cerveja...
Brisada entende?

Acho que não tem problema né?
Negar-me a ser Curuminha loira-bonequinha...

É possível...

Sim... Possível...
Do meu ventre é possível um Jorge Amado.
Hum... Gostei... Ficou bem bacana assim.


* DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: "Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção." HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: CHAPEUZINHO DE NEVE ADORMECIDA

  

AS PRINCESAS, NO PAÍS DAS FADAS, ESTÃO SEMPRE PRISONEIRAS DA NARRATIVA DO CONTO, POSTO QUE NO ABSOLUTO DA MORAL, QUEM CONTA UM CONTO NUNCA AUMENTA UM PONTO.
 
 
Era uma vez, há muito tempo atrás, uma princesa que fazia parte de um conto de fadas narrado por várias e várias e várias vezes. Ao final de cada narrativa, os ouvintes suspiravam de comoção: "Que linda história", "Que maravilha de conto", etc, etc, etc...
 
Nossa princesinha, que tinha o nome de Chapeuzinho de Neve Adormecida, não concordava com nada disso, pelo contrário, a enfadonha e eterna repetição da mesmice a incomodava deprimentemente: "Unf... Que saco!!!" - há tempos sua filosofia, que num crescente se tranformou em revolta.
 
"Chapeuzinho" em função da capinha que acabava por cobrir e esconder todo o corpo da mocinha, toda a forma do que lhe conferisse feminilidade.
"de Neve" em função da redoma fria que apaziguava a fornalha de seu coração desejante.
"Adormecida" que traçava o Destino de não acordar e, ao mesmo tempo, apontava para o Desejo de sonhar diferente a próxima página.
 
E a revolta continuava: "De que me adianta tudo isso?!? Princesinha, bonitinha... Mas ao final eternamente feliz para sempre, pfffff, nem beijo de lingua tem!!!"
 
"Resolvido: Quero sair fora deste conto!!!" - pensou lá com seus botões sempre bem abotoados.
 
Secretamente, apesar da marcação de suas duas mães, a Rainha de Espadas e a Rainha de Paus, foi consultar o Mago da Caverna do Topo da Montanha da página seguinte - criatura estranha, pois que nunca aparecia no conto, estando sempre na próxima página.
 
"Tú, mocinha, se queres tirar teu time de campo dessa chatice sem fim, ouve com atenção. Terás que atravessar a Floresta Púbis, comandada por uma de tuas mães, a Rainha de Paus, e efrentar o Trolloló e o Blá-Blá-Blazê, os guardas que cuidam da caminha que estica-e-puxa, porta para o mundo lá de fora deste treco sem graça... Entandeste bem?!?"
 
Bem... Então tinha jeito. Aguentar o Blá-Blá-Blazê até que dava, mas a Rainha de Paus a correr atrás dela, pernas-pra-que-te-quero!!! Pois por Deus, dizia-se a boca fechada, que a Rainha de Paus era um Rei que não tinha dado certo!!!
 
Mas, o Mago que de lobo-bobo não tinha nada, resolveu ajudar a princesinha - vejam bem, sejamos honestos, mais por curiosidade do que por bondade. Fundiu Trolloló com Blá-Blá- Blaze, criando um Valete de Copas a entreter as duas Rainhas.
 
Chapeuzinho mais que depressa foi pra caminha.
Puxa daqui, e lá se vai a capinha. Estica dali e a fornalha surge em explosão. Puxa e estica, estica e puxa, transformam-se em formas de um corpo. Até o Valete de Copas, por um fugaz momento, se esqueceu das Rainhas.
 
Pimba... "Estamos no Mundo de Verdade, minha gente!!!"

E assim foi caminhando a agora moça: amando, beijando na boca, sofrendo, trabalhando, voltando a beijar na boca - não mais eternamente, mas verdadeiramente feliz.
 
 
Moral da História
QUEM SE ARRISCA, DELICIOSAMENTE PETISCA-SE (com um bom vinho ou um chopp gelado)
 
 
*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O SAMURAI QUE TOCAVA VIOLÃO

 

O MINISTÉRIO DE LÍMBIA ADVERTE: ANALISTAS FAZEM MAL À ORDEM DA LINGUAGEM
 

O que aqui vou narrar, juro com os dedos cruzados nas costas (maneira honesta do analista jurar alguma coisa), ouvi de um alquimista limbiano. Em Límbia os alquimistas assim fazem: juntam alhos com bugalhos e tiram do forno um pudim, doce "pobre de mim" ou amargo "posso sim" - tudo bem, em Límbia tudo se dá pelo avesso. LugarzINHO estranho... mas acolhedor (o destaque aqui é aliatoa).
 
Era um vez um samurai que tocava violão. Como não podia tocar com as mãos outras curvas, digo as curvas dela, tocava violão mesmo. Passava assim o tempo a cantar as cantadas que não podia dar. Tudo se passava não por opção, diga-se de passagem, mas por prisão. Nosso samurai vivia prisioneiro do terrível Império do INHO. Tudo tinha a maldição da terminação: bonzINHO, menorzINHO, sozINHO - que já não é adjetivo, mas estado de ser.
 
Estar sozinho não é solidão. Só podemos "estar com", se antes estivermos sozinhos. Estar sozinho é o caminho de "estar com". É suportar a infinitude de ser as possibilidades que temos de ser EU. Há de se ter a capacidade de estar sozinho.
 
Mas tratava-se de "estar com" Ela, outra, que não aquela que se conhecia muito bem, desde o dia do nascimento. Há de se libertar do imperativo materno do INHO, para poder "estar com" Ela Outra - nosso samurai e nós outros... há de se libertar, labutar uma separação do seio mais-ou-menos.
 
O samurai que tocava violão só com a Mãe de espectroadora.
O samurai que tocava violão só, com a Mãe de espectroadora.
O samurai que tocava violão, só com a Mãe de espectroadora.
(O MINISTÉRIO DE LÍMBIA ADVERTE: O LUGAR DA VÍRGULA NÃO ALTERA O SENTIDO)
 
"Me disseram que o senhor sabe como afiar Katana. A minha está com o fio cego. Será que o senhor poderia me ajudar?!? Preciso do fio com corte, para arrancar fora a Mãe."
 
AUTORIZAÇÃO
 
AUTO / RISO / AZAR / AÇÃO
 
Riso nada engraçado. Riso doloroso. Riso amarelo, de canto de boca.
 
Me empresta um pouco, deixa eu ver essa tua Katana.
Hum... Acho que dá... Ainda tem corte!!!
 

* DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: "Isto é Límbia,terra da ficcção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção." HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)
 
  

quinta-feira, 12 de julho de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: NOTAS SOBRE A AUSÊNCIA DO HOJE



Alô Marcos... Olha, não estou aí amanhã!!! Desorganização, sabe né?!? Daria para você me analisar ontem?!?

Estar deitada é como sonhar acordada...
Cores... Muitas cores vão se misturando no quadro de minha cabeça.
As cores vão se juntando, formando uma serpente.
Sabe, fico sem saber quem teme quem... Eu temo a serpente, ou a serpente é que me teme?!?
Como?!?
A serpente é que me tem?!?
Aí a serpente acaba sendo Eu mesma!!!

Outro dia cruzei com ela, a serpente, andando de bicicleta!!! Muito interessante... De bicicleta, pode?!?

Às vezes realmente me canso de ter que carregar o mundo de todo mundo nas costas. A gente não devia fazer uma coisa dessas!!! Porra... É muito pesado!!!
Às vezes, nem Eu me aguento...

Estar deitada é como sonhar acordada...
Posso ficar ruborizada com as coisas que falo. Você pode me perceber ruborizada. É simples... Simplesmente pode, né?!?
Pode?!?

Fico a pensar no mundo desorganizado, apenas diferente do meu.
Fico a pensar no formato de agenda/calendário sem um "hoje"... Só ontem e amanhã... Sem hoje possível.
Talvez um dia nos encontremos hoje... Pode?!?


* DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: "Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção." HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)


domingo, 24 de junho de 2012

SOBRE URUBUS & CARNIÇA



Certo dia, ao fumar um cigarrinho em minha sacada, observei algo intrigante. No alto de um dos prédios do condomínio residencial à frente, um bando de urubus se colocava a descançar (acho que deve haver um ninho ali).

O ocorrido me fez recordar que certa vez, há anos atrás, acompanhando minha esposa a uma consulta médica, em plena Av. Paulista, tive uma experiência parecida. Enquanto esperava, ao ir fumar um cigarrinho na janela do prédio comercial - ainda se podia fazer isso -, vi vários urubus pousados nos ares-condicionados do prédio em frente.

Urubus em pleno coração econômico do Brasil... Interessante!!!

Pelo que eu saiba, urubus comem carniça. Mas em plena metrópole paulista, onde a carniça?!?

Fiquei a cogitar e cogitar e cogitar, observando os urubus civilizados.

Vai ver que se trata de "massa de gente-carniça", criatura do mundo humano em colapso, numa espécie particular de representação, um regime angustiante de terror - sem armas ao certo, mas com um instrumento muito mais poderoso: o lastro econômico.

Quanto vale um ser humano?!? Quantos mercados existem para venda, troca, negociação de gente-carniça?!?
Criação bizarra e perversa de um mundo em colapso?!?

Que me desculpe o urubu-ave: agradeço à ave preta de cabeça nua que me inspirou.

Será que também sou gente-carniça?!? Será que somos?!?
E os urubus?!? Onde estão?!?
A nos espreitar lá de cima dos edifícios?!?

Cruz-credo!!!


sábado, 12 de maio de 2012

L'ADVERSAIRE



Jean-Marc é uma mentira ou uma verdade absoluta? Difícil de dizer.

Um homem acima de qualquer suspeita ou uma criatura cercada por olhos surdos e ouvidos cegos?

"L'adversaire" é assim... Um filme destes que se propõem a virar o espectador do avesso - navalha na carne da alma.


M. Faure, talvez, apenas revele certa particularidade do mundo contemporâneo - não, isso não é uma crítica. Um mundo que é e se faz assim e pronto. Feito pronto. Ponto final.

Talvez, revele-se um pouco do Jean-Marc em cada um de nós; o revela o mundo que nos faz recriar o contemporâneo em nós.

Um mundo vazio, apático, desesperador, angustiante por si.

Um mundo que cria pressão e faz personificar-se um personagem a viver no limite de uma lógica delirante.

Ser... Ter... Representar... Conquistar... No fundo da alma, talvez verdadeiramente amar e ser amado.

Mas o que tem é um Faure amarrado à um sistema restrito de representação - possibildade restritiva de não possibilidades.

Quando estoura, arrebenta, diante do confronto de ruptura do delírio. À possível revelação de certa realidade, a destrutividade impera - vira imperativo absoluto.


Aqui não temos a história de Jean-Marc Faure para nos assegurar. Só nos seguramos de um Faure que, de repente, se faz assim.

Covarde? Corajoso?

Não temos em que nos assegurar... Temos apenas Jean-Marc e seu mundo. Temos apenas um aparte do homem e de seu mundo - nós.


A interpetação de Daniel Auteuil é um espetáculo à parte - magnífica!!!


Fica a sugestão para quem aguenta ver as vísceras do homem postas para fora.

O ADVERSÁRIO (L'adversaire)
França (2002)
Direção de Nicole Garcia
129 min.

  

terça-feira, 24 de abril de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: DESTINO





Chegastes assim, com um rápido olhar...
olhar que desvia de quem te presta atenção.

Olhar de infante tímido, assustado, acuado
Acuado por um destino que te fora imposto
sem escolhas.

O Destino há,
se faz assim.

Das entranhas deste teu olhar surge Um que fala:
"Não me entregues à um destino que não se fez em ti,
nem me entregues à um destino deste outro.
Eu não sou o Outro.
Quero apenas ser Eu."

A possibilidade de destituição deste destino fez o sentido.

Que este teu olhar seja bem vindo.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

segunda-feira, 12 de março de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MALANDRAGEM


O Destino Humano aponta, é Verdade, para a necessidade e (inter)dependência do Outro. Este Outro que se faz na falta da absoluta completude. Por não ser completo, o Ser busca incessantemente o Outro... Destino!!!
A falta, às vezes, pode tomar proporções catastróficas, melancólicas e maníacas... Narciso fez assim... Acabou afogado na própria imagem.

Acredita-se haver outra forma. O cotidiano apresenta um homem que dribla o Destino como Garrincha... Malandragem das boas, diga-se de passagem.
O que seria da Ópera de Chico Buarque sem o Malandro!!!


QUEM NÃO ARRISCA NÃO PETISCA, E QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA!!!

Que me desculpem os intelectuais, mas não acredito no que é alienado. Às vezes, a dita “alienação” é malandragem pós-doutorada na Vida.


"Malandro é o gato, que come peixe sem ir à praia!!!" (MOREIRA DA SILVA – o último dos bons malandros)


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O VERBO E A COR



No princípio foi o Ato... Logo após era Verbo.

O Verbo que regra, representante supremo da Lei. Verbo disparatado, que falha, que falta.
Cheio de lacunas, o Verbo tenta e tenta e tenta... Acaba, por vezes, perdendo-se no Vazio. Confusão que acaba por não representar nada, apenas redundâncias.

A Cor por vezes expressa.
A cor do cabelo vermelho representa radiante gingado da câmera fotográfica.
O andar pode ter cor apagada de foto velha, bem como pode ter cor vermelho-sedução.
A palavra tem cor. A história tem cor de mãe e pai.

O Verbo pode ser Cor... Deve haver Cor para além desta sala, lugar do Verbo.
Há Verbo na vida especulada... Há Cor na vida vivida, Vida.

Que a força persuasiva do que não se exprime é implosiva, devastadora, auto-destruidora. Que expressar é começar a se libertar.” (FRIDA KHALO)

*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CONSTRUÇÃO, DECAMERÃO & O FIM DO MUNDO



Início de 2012... Mais um ano, que como tudo nessa vida, caminha para um término. E este pode chegar a um fim, literalmente – que o diga a quantidade de programas científicos sobre o “Efeito Nostradamus”, o “Apocalipse” e o “Calendário Maia”.

Eu me encontro aqui, na sacada, fumando meu cigarrinho após meu cafezinho (me desculpem a posição politicamente incorreta). Encontro-me no cigarrinho, a observar um prédio em construção. Quanto trabalho, com os homens e maquinários, muitas vezes encobertos pelos andaimes da construção, no levantar do edifício.

Enquanto queima o cigarrinho, lembro-me dos Andaimes do Real. Do trabalho de nós, homens, a construir um Mundo Humano recheado de nossa Realidade. Pois que a Realidade é isto: um recheio feito para ser o mais delicioso e imperceptível ao mesmo tempo. Paradoxo? Creio que não. Absurdo seria o mais correto.

Enquanto queima o cigarrinho, lembro-me do Decamerão de Boccaccio, com seus dez personagens a inventar uma fuga contra a peste que assola a Europa lá pelos idos do século XIV. Para escapar do Fim do Mundo daqueles tempos, os dez jovens se põem a andar para o mais distante possível, a passear por luxúrias e relações humanas secretas e íntimas, narradas através de cem novelas. A introdução traz a marca do desespero e da desesperança, com as páginas coloridas por uma podridão fétida. O Absurdo é que o livro foi lançado, em plena idade média, refletindo a crise das rígidas concepções morais do mundo religioso – o fim da picada, mais precisamente, o Fim do Mundo.

Em retorno ao século XXI, vejo nos noticiários uma miscelânea de caos que vai da extinção da Cracolândia, passa pela crise profissional dos “flanelinhas”, contém os desabamentos eternos do mês de janeiro, em decorrência das chuvas, e – poder-se-ia apontar – fecha com chave de ouro com o lançamento de mais uma edição do mesmo reality show de sempre.

Acabou o cigarrinho... Fim do Mundo?!?

O Mundo vai acabar em 2012?!?
Acho que não!!!
Talvez o Mundo já tenha acabado e esqueceram de nos avisar!!!