sábado, 22 de outubro de 2011

A DISSOLUÇÃO DO COMPLEXO DE ÉDIPO


“A anatomia é o destino.”

Algumas notas sobre o Artigo de 1924.

O Complexo de Édipo empresta o nome do Édipo Rei de Sófocles. Trata-se do mito grego no qual o rapaz de “pés furados”, em uma trama oracular tecida pelo destino, mata o pai e casa-se com a própria mãe.
O Complexo de Édipo, portanto, uma das principais bases da teoria freudiana, não se refere ao campo da psicopatologia, mas sim a um dos fundamentos do desenvolvimento da sociedade humana: a proibição do incesto.

Fenômeno central do período sexual da primeira infância, o Complexo de Édipo sucumbe à experiência de desapontamentos penosos, à frustração da não realização da idealização de se ter, com exclusividade, o genitor (pai ou mãe) como objeto sexualizado.

No Artigo de 1924, Freud desenvolve algumas idéias interessantes.

Aponta para a possibilidade de, além da frustração pela qual passa o “pequeno amante”, pelos efeitos da possibilidade interna de ver realizado o desejo de “casamento”, outra visão pautada em linhas ontogenéticas de programação orgânica – a disposição orgânica do indivíduo contendo a indicação daquilo que deve morrer, ser destruído, ser dissolvido (importante aqui se faz o termo escolhido por Freud – “Untergang”).

Freud descreve sua teoria sobre o papel principal assumido pelo “pênis” na sexualidade infantil. A criança possui a idéia de que todos os seres possuem “pênis” – não há a possibilidade do “não-pênis”. Através de experiências de contato social, a primazia do “falo” vai sucumbindo, caindo por terra, e dando espaço a teorias infantis de explicação. A principal teoria da criança é a de que, os indivíduos sem “pênis”, as mulheres, antes já tiveram um, porém, em decorrência de algum tipo de “castigo” em referência a “algo feio”, foram castrados.

Há uma interessante passagem no Artigo em que Freud afirma que o Complexo de Édipo da menina é muito mais simples que o do menino (o “pequeno portador do pênis”). Provavelmente, a simplicidade faz referência a fatores “econômicos” do psiquismo, visto que a menina entra no Édipo pela castração, enquanto o menino sai do Édipo pela castração. A passagem se faz interessante ao compararem-se as idéias de Freud sobre a sexualidade feminina, um território considerado obscuro.

A dissolução do Complexo de Édipo deixa restos importantes. O principal deles é a fundamentação do núcleo do Supereu, personagem responsável principalmente por representar a “autoridade do pai” e a severidade da “lei”, controlando as tendências libidinais em prol da socialização.

O Complexo de Édipo, bem como sua dissolução, abrem discussões importantes sobre a sexualidade, sobre a vida humana social, sobre a identidade de gênero, enfim, sobre os primórdios da constituição do humano.