sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: FRANCISCA E O FADO



E tu ficas assim a pensar, paralisado, entre o elevador de serviço e o social. Ficas assim a pensar, paralisado, para sempre?
Oh Raul, vê se te decides meu caro!!!

Tu tens o xale negro do Fado colado na pele, entranhado nas vísceras de tua história. Tabernas escuras, a iluminar o trio de velhos com os rostos marcados pelo tempo, a acompanhar a velha cantarolando trechos sobre o sofrimento da alegria arrancada pelo mar e pelo tempo – alegria de um passado que, paralisado nos rostos marcados sem dentes, não há de voltar jamais. Pois que o mar e o passado leva tudo.

Mas e Francisca? A Da Silva? Negra careca e levada da breca a te fascinar com aquele sorriso maroto, de quem sabe viver a vida requebrando os quadris. Tu és secretamente apaixonado por Francisca. Digamos mais... Oh Raul, tu a invejas... Queres ser Francisca a sambar.

Ah o Samba... Que ritmo diferente do Fado!!!

Perdido em teus pensamentos, tu és pego pelo tropeço do destino. Olha só Raul, diferente de outros tempos, tu te atrapalhaste desta vez: tomaste o elevador social. Mas oras pois, vejam só, Francisca surgiu de ti. Que peça te pregaste Raul, que peça!!!


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: A FRESTA




Entre o Eu e seu Mundo, o psiquismo tenta criar uma ligação perfeita: sou Eu e pronto; este é o Mundo e pronto.
Mas no esforço da função Crença em propiciar uma Rotina que disfarce a suspeita, há sempre uma brecha, uma fresta, por onde escoa o surgir do Absurdo, o próprio Homem Psicanalítico.
Uma palavra esquecida, um sonho, uma falha de memória, um comportamento estranho ao nosso habitual, cria este espaço no qual sentimos algo um tanto quanto esquisito. Algo de descontínuo em nosso ato de pensar Eu e Mundo. Algo que rompe com o absoluto de nossas certezas, expectativas, esperanças.


Você me entende?” – assim, inúmeras vezes, Sonia questiona o que é do incompreensível, algo que se perdeu inesperadamente, algo investido com carne de Sonia, com jeito de Sonia. Não escolhemos a maneira pela qual nos encontraremos com o Destino.
Está vendo meu tênis? Ele representa meu último ano...” – Um tempo entregue à doença do ente querido. Tênis gasto, Sonia gasta. “Odeio você por enxergar estas coisas!!!
Ali, os leitos vagam depressa. As pessoas chegam para morrer. O lugar é até bonito!!!” – Ali, na desesperança.
Ao fim de um encontro com o Destino, Sonia perdeu o Fim – por cansaço, cochilou na hora da partida. “Não consigo mais dormir...
Um cochilo de tirar o sono desta Sonia, para o resto da vida desta Sonia. Um cochilo que reinveste o não sepultamento do Objeto amado, pois é de Amor que se trata aqui.
Estou fazendo algumas coisas por mim... Mas é difícil não pensar, estancar o pensamento, fazer ele sumir...” – Há um tempo para Sonia cansada acordar do cochilo. Mas há a possibilidade de na fresta dos olhos cochilantes, acordar Sonia outra.

Não escolhemos a maneira pela qual nos encontraremos com o Destino... Mas também não conhecemos os infinitos caminhos até Ele.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sábado, 22 de outubro de 2011

A DISSOLUÇÃO DO COMPLEXO DE ÉDIPO


“A anatomia é o destino.”

Algumas notas sobre o Artigo de 1924.

O Complexo de Édipo empresta o nome do Édipo Rei de Sófocles. Trata-se do mito grego no qual o rapaz de “pés furados”, em uma trama oracular tecida pelo destino, mata o pai e casa-se com a própria mãe.
O Complexo de Édipo, portanto, uma das principais bases da teoria freudiana, não se refere ao campo da psicopatologia, mas sim a um dos fundamentos do desenvolvimento da sociedade humana: a proibição do incesto.

Fenômeno central do período sexual da primeira infância, o Complexo de Édipo sucumbe à experiência de desapontamentos penosos, à frustração da não realização da idealização de se ter, com exclusividade, o genitor (pai ou mãe) como objeto sexualizado.

No Artigo de 1924, Freud desenvolve algumas idéias interessantes.

Aponta para a possibilidade de, além da frustração pela qual passa o “pequeno amante”, pelos efeitos da possibilidade interna de ver realizado o desejo de “casamento”, outra visão pautada em linhas ontogenéticas de programação orgânica – a disposição orgânica do indivíduo contendo a indicação daquilo que deve morrer, ser destruído, ser dissolvido (importante aqui se faz o termo escolhido por Freud – “Untergang”).

Freud descreve sua teoria sobre o papel principal assumido pelo “pênis” na sexualidade infantil. A criança possui a idéia de que todos os seres possuem “pênis” – não há a possibilidade do “não-pênis”. Através de experiências de contato social, a primazia do “falo” vai sucumbindo, caindo por terra, e dando espaço a teorias infantis de explicação. A principal teoria da criança é a de que, os indivíduos sem “pênis”, as mulheres, antes já tiveram um, porém, em decorrência de algum tipo de “castigo” em referência a “algo feio”, foram castrados.

Há uma interessante passagem no Artigo em que Freud afirma que o Complexo de Édipo da menina é muito mais simples que o do menino (o “pequeno portador do pênis”). Provavelmente, a simplicidade faz referência a fatores “econômicos” do psiquismo, visto que a menina entra no Édipo pela castração, enquanto o menino sai do Édipo pela castração. A passagem se faz interessante ao compararem-se as idéias de Freud sobre a sexualidade feminina, um território considerado obscuro.

A dissolução do Complexo de Édipo deixa restos importantes. O principal deles é a fundamentação do núcleo do Supereu, personagem responsável principalmente por representar a “autoridade do pai” e a severidade da “lei”, controlando as tendências libidinais em prol da socialização.

O Complexo de Édipo, bem como sua dissolução, abrem discussões importantes sobre a sexualidade, sobre a vida humana social, sobre a identidade de gênero, enfim, sobre os primórdios da constituição do humano.

domingo, 11 de setembro de 2011

NOTAS DE VIAGEM: RIBEIRÃO PRETO, LIMITES, PRAZER & REALIDADE


Estas são Anotações de minha passagem por Ribeirão Preto, de 06 a 10 de setembro de 2011, ocasião do XXIII Congresso Brasileiro de Psicanálise, que teve como tema “Limites: Prazer & Realidade”.

06/set

Chegamos ao Comfort Inn, simpático hotel perto do Centro, o que fez de sua localização a perfeição para passeios a pé – caminhadas agradáveis por uma cidade agradável.

A Velha Niger não há mais...

A Velha Pinguim, um dos patrimônios de Ribeirão Preto, não é mais a mesma.

Sinais de Limites do Tempo. De um tempo folclórico em que se contava a existência de uma tubulação que ia da Niger à Chopperia.

Não... O chopp não é mais o mesmo.


07/set
A presença de Antonino Ferro se fez notar, principalmente no mini-curso ministrado por Marta Petricciani (SBPSP), sobre o pensamento, a teoria e a clínica do notório analista italiano.

Às vezes, o Centro de Convenções tornava-se pequeno... Limites.

Os “Diálogos Psicanalíticos: 100 anos dos Dois Princípios do Funcionamento Mental”, pecou pela idéia de uma ampulheta que limitava em 6 minutos a apresentação das idéias, acarretando um diálogo um tanto quanto confuso. Limites de uma tentativa.
Claudio Castelo Filho (SBPSP) apresentou uma ótima construção em construção, no Tema Livre composto por dois trabalhos: “Interferências de valores morais e religiosos na prática psicanalítica e na formação de psicólogos, psiquiatras, terapeutas e psicanalistas”, que teve como eixo central “a revelação de sistemas morais-religiosos” encontrados no núcleo conflitante de certas situações psicoterapêuticas; e “Juntos, porém sós. A possibilidade ou a impossibilidade de encontros humanos – Problemas do mundo atual ou velhos problemas com novas vestimentas?”, onde a descrição de uma situação clínica envolvida por relacionamentos via sites pornográficos e de encontros pela internet, fez surgir “ausência de contato” ou “solidão psíquica” que sempre permearam a história da humanidade. Interessante ampliação de Limites.
À noite, acompanhados por uma grande amiga de Ribeirão Preto, fomos ao Salz Bar, lugar muito agradável, com jazz e blues, ótima caipirinha e um chopp muito bem tirado – agradecimento à Teté, por nos ciceronear.


08/set
Mauricio Marx e Silva (SPPA) conduziu uma brilhante e deliciosa aula sobre “O Duplo Limite em André Green”. Chopp muito bem tirado.

A série “Exercício Clínico” foi uma surpresa muito bem vinda. Os participantes iam tecendo suas construções clínicas sobre material exposto no ato, sem conhecimento prévio. Participação maciça da platéia. Lembrou-me os velhos exercícios propostos por Fabio Herrmann.

Maria Elisabeth Cimenti (SPPA) apresentou Lacan de forma magistral e coesa na mesa “O Real, o Imaginário e o Simbólico: relações com os Limites”. Muito bom o surgir de espaço possível para Lacan, dentro dos Limites atuais da IPA.
Conhecemos a Água Doce Cachaçaria, limite do descontraído e sem limites para a ótima cachaça da casa.


09/set
O superego na teoria e na clínica psicanalítica atual” apresentou uma legítima, bela e bem humorada participação de Bernard Miodownik (SBPRJ) e uma coesa e bem montada apresentação de César Luís de Souza Brito (SPPA). Complementação perfeita do Limite do Contemporâneo.

A balada do Cinema D ficou a desejar... Música eletrônica, sem sombra de dúvida, extrapola o Limite de meus possíveis.

10/set

Fechamento com chave de ouro...

A poesia clínica de Ana Maria S. Vannucchi (SBPSP) e a musicalidade clínica de Leda B. Spessoto (SBPSP) ultrapassou os Limites de uma bela apresentação na mesa “O limite entre o sonho do analista e a atuação”. Um ramalhete de flores ao som da Sinfonia nº 5 de Beethoven. Não dá para comentar... Foi para sentir!!!

Sem limites carnívoros na Churrascaria Coxilha dos Pampas... Por Deus... Abundância.


Limite esgotado do Tempo – despedida e lágrimas.

Limite ampliado de Prazer/Paixão.

Limite que marca o retorno à Realidade.
Missão mais do que cumprida...

São Paulo novamente.


* As Bobagens e Decepções... Bem... Optei por não tomá-las em consideração.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: DES/CONSTRUIR-SE



Diga-me meu amigo, além de EU e você, quem mais entenderia o que se passa nesta sala?!?

O Homem Psicanalítico poderia ser descrito desse modo, como sendo o produto da relação de desencontro entre analisando e analista – uma entidade em crise.

Não, não sou culpado do Outro estar trilhando este tortuoso caminho. Afinal, caminhos são caminhos, não é mesmo?!? Mas confesso a você, meu amigo, dói muito não ser o MEU caminho!!!

Ir desconstruindo o que já se foi é trabalhoso. Ir em direção da construção do incerto do DESEJO é angustiante. Trabalho forçado, resistente, em busca de uma flexibilidade que nos retira de uma tão cômoda ingenuidade ignorante frente ao Mundo em que vivemos. Às vezes, penso que a ignorância frente aos Andaimes de Construção do que somos contém um pouco de saúde mental.

É como se estivesse eternamente sentado naquela soleira de porta, representante de uma humilhação profunda... Anda comigo pela estrada... Amigo, me sinto muito inseguro... Diz uma voz dentro de mim: E VOCÊ, VAI FAZER QUANDO?!? VOCÊ SÓ PROTELA TUDO!!!

Quando mais nos aprofundamos em nós, mais o funil de nosso desejo vai cedendo àquilo que realmente somos: seres incompletos, seres em busca de uma satisfação. Não há satisfação plena. Há ADMINISTRAÇÃO.
Administração de qualidade, quantidade, prazer e frustração. Administração que dá trabalho.


Não, não tenho culpa!!! Mas... Será que, verdadeiramente, não errei em algum momento?!? Será que, em algum instante, não tropecei nos degraus daquilo que fui-sou-serei?!? Me responda meu amigo...

E assim vamos dirigindo por linhas tortas de uma avenida reta. Vamos trabalhando...

*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

GERMINAL

  
Gente que acorda cedo, bem cedo, e espremida na condução, vai ganhar o sustento de cada dia, salário que não serve nem para sobreviver.
Condução indecente para gente... Salário indecente para gente...


E o bando, pela planície rasa, toda branca de geada, sob o pálido sol de inverno, marchava, saindo da estrada, atravessando as plantações de beterraba.


Gente que trabalha, quando tem trabalho, para comer comida de segunda.
Bebe algo, senhor? Sobremesa, senhor?


O bando estacou. Esse não era um patrão, era um companheiro. Retinha-os o respeito por aquele velho operário.

Gente que sem dinheiro não é gente. Sem cartão de crédito não é gente. Sem grife na roupa não é gente.

Gente dominada por sonhos de consumo, ingeridos goela abaixo, sem tempo para digestão... Indigestão de gente.

Gente que já não sonha com comida, saúde e educação. Gente que sonha com Apple, TV HD, carro da propaganda. Gente que quer ser como a gente da televisão... Basta ter o tal cartão, ser cliente da rede diferenciada do banco tal... Gente que sonha com indigestão.


Um grande movimento fez girar o bando. Todos voltaram as costas e a correria recomeçou pela estrada reta, que se estendia pelo infinito, por entre as terras. De novo os gritos se elevavam: ‘Pão! Pão!’

Gente que se mistura em uma massa disforme, sem desejo, sem pensamento, sem roupa bonita nem cartão de crédito. Gente que aprendeu a não ter reflexão. Gente que aprendeu tudo pela televisão.

E nessa ferocidade crescente, nessa antiga necessidade de vingança cuja loucura fervia em todas as cabeças, os gritos continuavam, estrangulando-se, a morte aos traidores, o ódio ao trabalho mal pago, o rugido do estômago querendo pão.

Gente que quer ser jogador de futebol, que quer ser moça seminua do programa de TV.

Faz tempo que não há mais futebol.

Faz tempo que não se empolga mais com a seminudez da mulher.


O bando era cada vez maior, aumentando sempre com os companheiros apanhados pelo caminho e nas aldeias. Um bolsão de rancor rebentava neles, uma pústula envenenada, que se enchera aos poucos. Anos e anos de fome os torturavam, uma sede de massacre e destruição.

Gente que não tem diversão. Não há mais parques, varandas e jardins. Há concreto, suor, empurrão. Há cobrança, conta, insatisfação. Gente que não tem parâmetro de satisfação. Gente indigesta... Mantida afastada.

O escritório de cobrança agradece. O banco agradece.

Mas essas vinganças não enchiam a barriga. Os estômagos gritavam mais alto. E a grande lamentação dominou outra vez o tumulto: ‘Pão! Pão! Pão!’

GERMINA talvez, lá no fundo da gente, a possibilidade de acordar diferente, de olhar diferente, de destino diferente.

Uma outra vez o bando invadiu a planície rasa. Voltava sobre seus passos, pelas compridas estradas retas, pelas terras cada vez mais amplas. Eram quatro horas; o sol, que se punha no horizonte, lançava no solo gelado as sombras daquelas hordas, de grandes gestos furiosos.

Gente que não tem escuta. Gente que, entupida de remédio, entupida de cachaça, entupida de químicas sintéticas novas, vai sobrevivendo entorpecida... Alegremente... Caminhando e cantando e seguindo a Canção...


E do profundo silêncio emanava uma impressão de bonomia e bem-estar, a sensação patriarcal de camas fofas e mesa farta, de felicidade tranquila em que decorria a existência dos proprietários.

Gente que é propriedade. Movida prá lá e prá cá. Caminhando e cantando e seguindo a Canção.

Gente que na visceralidade do Corpo e da Alma é igual a toda gente: nasce-se pulsando para a morte; sente-se fome e sente-se prazer sexual; luta-se pela sobrevivência da identidade, do civilizado sobre o primitivo.

A Palavra, às vezes, desabafa no oco da gente.


Os trechos citados são de GERMINAL, de ÉMILE ZOLA, escrito em 1881.   

quarta-feira, 22 de junho de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: OS PÉS QUE AQUECEM A NEVE QUE ESFRIA A CABEÇA



Vou para a Cordilheira esfriar a cabeça. Ali, onde a neve branquinha entra em contraste com o céu
Azul

da Cordilheira.


Vou para a Cordilheira ficar distante do “zum-zum-zum”, do falatório sem fim.
Minha cabeça-panela-de-pressão com o “tem que fazer isso”, “tem que fazer aquilo”.

Vou para a Cordilheira aquecer a neve com meus pés descalços.

Espero apenas uma choupana gostosa, acolhedora de mim e da criança minha.
Não quero energia elétrica...

Quero lenha acesa no fogão de ferro. Quero cheiro de café sem cafeteira elétrica.
Quero tomar banho de canequinha, ali, perto do fogão de ferro que aquece a choupana acolhedora.


Com a criança minha, correr nua pela neve

com a cabeça perto das nuvens.

Fazer xixi e deixar a neve amarelinha.

Acenar, à distância, para o casal da outra choupana distante
que aquecem minhas fantasias de mulher possível

esquecida e reencontrada na Cordilheira.

Quero distância de gente, da minha gente...
Quero ser gente de outro jeito, diferente.


Queria te trazer uma “lembrancinha” da Cordilheira...
Mas não dá para trazer neve...

A neve só sobrevive na Cordilheira.
Com a criança minha, tentarei trazer um pouquinho de nuvem...

Talvez sobreviva!!!
Talvez...

Até breve!!!

*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: O QUE SUSTENTA O OLHAR


Hoje comi um “Pastel de Belém” na Padaria Lisboa!!! (WISH OR DESIRE?!?)
Eles estão para se cruzar neste momento... Em menos de um segundo acontecerá o encontro que mudará para sempre o destino.
Um encontro que começa com um OLHAR.


O QUE SUSTENTA O OLHAR?!?

 

Na língua inglesa existem dois verbos que dão conta disso: “to wish” e “to desire”.
Interessante!!! Em Português só há “desejar”!!! Será que tem haver com “ter vontade”?!?


O DESEJO SUSTENTA O OLHAR!!!


O OLHAR que um vai dirigir ao outro despertará uma vontade de saber mais, de se ver de novo!!!
Um OLHAR que vai ver um corpo, vai ver um jeito, vai ver um cheiro, vai ver os sapatos e tudo o mais!!!
DESIRE” é o verbo!!!
WISH” tem uma conotação mais leve!!!


DESIRE

Um OLHAR que vai tentar encaixar o Outro na figura que já existe em quem olha!!!

Semana que vem vou experimentar o “Quindim” da Padaria Lisboa!!! (WISH OR DESIRE?!?)


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

BAL – A Doçura, A Linguagem & O Indizível


Impressionante como em pleno século XXI, tempo de avançada tecnologia, onde o próprio tempo relativiza-se mais rápido do que podemos acompanhar, o cinema tem a possibilidade de produzir um drama tão profundamente poético e tão intensamente existencial como a produção turco-alemã “BAL”.

Com extrema sensibilidade, em uma obra que adquire vida própria, o filme – verdadeiro “tratado sobre o Pai” - retrata um recorte na existência do pequeno pré-escolar Yusuf, em sua intensa relação com o pai, a batalha na aquisição da linguagem, e a angústia do amadurecimento, portanto, da perda.
O cenário, uma isolada área montanhosa em meio à floresta, nos remete a algo deliciosamente medieval, sem as turbulências e barulhos ao quais estamos, seres metropolitanos que somos, acostumados. O silêncio da floresta já conduz a uma estranha angústia – o Estranho.

O pequeno Yusuf quase não fala. Sussurra apenas com seu pai, um cultivador e apanhador de mel. Herói retratado do ponto de vista do infante, o pai sobe em árvores gigantescas para trazer o mel doce e carregado da labuta pela sobrevivência.
Um pai doce, cúmplice, que alerta que “nossos sonhos não se espalham”, devem ser secretamente cuidados.
O filme é entrecortado, sem aviso prévio, pelos significativos sonhos de Yusuf, que já dizem o que ainda não se sabe.
Um doce olhar de pai, que vai tecendo as nuances identitárias do filho.

A mãe aparece totalmente deslocada da construção. Com ela Yusuf não fala. Um pouco de temor. O copo de leite que não se toma, por mais que ela tente se aproximar carinhosamente do filho.
A ausência do pai é que permite o encontro entre mãe e filho, quando ambos, perdidos, comunicam-se pela angústia do não retorno do doce olhar paterno.

A Linguagem é outro ponto existencial no enredo. A batalha de Yusuf em conseguir ler e receber a “medalinha” na escola, representa a dor e a vitória do amadurecer – amadurecer que acompanha, dolorosamente, o não retorno do pai. A floresta engoliu o pai.

O filme utiliza-se de uma interessante técnica de câmera: um enquadre estático, sem movimento – os personagens surgem e desaparecem no enquadre, fica apenas o som como resto do que acontece.
A técnica do enquadre fez-me lembrar Clarice Lispector em “Água Viva”, expressão do Silêncio: “O que é uma janela, senão o ar emoldurado por esquadrias?”.

Ao final do filme não ficam sons, mas imagens – resto do Indizível, resto de Angústia, resto de Perda. Remete-nos a fazer qualquer coisa para preencher a falta de som.

Fica aqui a sugestão...
...e também o agradecimento a Igor & Ludimila pela indicação e pelo presente.


MAIS INFORMAÇÕES SOBRE "BAL"

sexta-feira, 11 de março de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: AQUI MAMÃE NÃO PODE ENTRAR!!!


Estranho... Muito estranho... Hoje acordei estranho.

Algo parecia estar fora do lugar... Não havia lugar onde me sentisse comodamente aquilo que EU era ontem.

O Mundo mudou. A padaria mudou. O leite mudou.

Onde fui parar EU, o de ontem?!?



Muito Estranho...



Como pude esquecer-me de convidar minha mãe?!?

Inadmissível... Que falha... LAPSO... O ESTRANHO.



Aqui mamãe não pode mais entrar. Mamãe não pode mais ouvir certas idéias que me povoam. Mamãe e Sexo não combinam (se é que combinaram algum dia).

Não sei mais o que estou falando...

Mamãe a gente ama, não é?!? Mamãe a gente TEM que amar!!!

AMOR... O que é o AMOR?!? PAIXÃO & AMOR!!!

Talvez, o AMOR seja a PAIXÃO sublimada – tremendo esforço civilizatório.



Talvez, realmente seja possível EU estar amadurecendo!!!

Aqui mamãe não pode entrar.

Aqui mamãe não pode MAIS entrar.



(despedindo-se, um leve sorriso de satisfação comunica: até a próxima... e o aperto de mãos fica ligeiramente mais forte)



*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: NOTAS SOBRE UM TORCICOLO


Desconforto entre a cabeça e o resto do corpo.

Volta tortuosa sobre EU mesmo... Lembranças... BAD TRIP.

Sinuosidade nas relações que mantenho com o Mundo que insiste em me dar contorno.

ZIGUEZAQUE: O que não é EU é ridículo, mesmo sendo EU a sombra do Outro.

Rodeio de minhas idéias na insistência em responder àquilo que não sei por não ter resposta.

INCLINAÇÃO ANORMAL DA CABEÇA... Percepção.

Dor dos músculos do pescoço... PESCOÇO QUE LIGA A CABEÇA AO RESTO DO CORPO.

Nervo Torto... EU torto... MUNDO torto... TOSCO.



Notas enviadas por NARCISO à DEUS. Digo DEUS, pois ZEUS não perderia tempo com Nota alguma.



*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: DÉJÀ VU


Parece que é a primeira vez que estou aqui!!!

Engraçado... Pensei que os sonhos sonhados não se realizassem?!?

Tenho aquele porta-retrato guardado há mais de 15 anos... Aquele porta-retrato estava me espreitando, me esperando!!!

Engraçado... Um dia acreditei que só existissem dias nublados!!! Não conhecia direito o calor do Sol... Esquenta!!! É bom!!!

Desculpa... Acho que vou te chocar... ESTOU FELIZ!!!

Sem dúvida... É a primeira vez que EU estou aqui!!!


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)