domingo, 10 de outubro de 2010

FREUD & DARWIN


Em 1831, aos 22 anos de idade, Charles Darwin embarcava no Beagle rumo ao litoral da América do Sul e das Ilhas do Pacífico. Naturalista, faria ao longo de cinco anos a bordo do navio britânico, um excepcional acúmulo de provas, pesquisas e análises, que culminariam em 1859 na publicação de “A Origem das Espécies” – apresentação da construção de sua Teoria da Seleção Natural.

Sigmund Freud, em 1900, publicaria a “Interpretação dos Sonhos”, apresentando ao Mundo suas experiências a bordo da Sala de Análise, em um mergulho pelas profundezas da alma humana.

Os dois notórios cientistas travariam então, uma verdadeira Luta pela Sobrevivência de suas revolucionárias idéias e pensamentos; luta que se estende até os dias atuais.

Freud, por diversas vezes, apontava em Darwin a responsabilidade pelo segundo grande golpe no Narcisismo do Homem: o Homem não é um ser especial, proveniente do Divino, mas sim um produto da Evolução e Adaptação ao Meio, criatura da seleção realizada pela Natureza, incluído como qualquer outra espécie deste pequeno Planeta Azul.


Lucille B. Ritvo, em seu livro “A Influência de Darwin sobre Freud”, expõe com precisão a relação entre os dois pensamentos. Abaixo, segue uma pequena resenha do livro de Ritvo.


A INFLUÊNCIA DE DARWIN SOBRE FREUD, de Lucille B. Ritvo (editado no Brasil pela IMAGO), é o primeiro livro a revelar o pleno impacto sobre Freud, da efervescência criada pelas obras de Charles Darwin. Ritvo mostra como o Método e as idéias de Darwin desempenharam papel seminal nas descobertas psicanalíticas básicas de Freud - Sexualidade Infantil, Conflito, Regressão, o Significado e a Função dos Sintomas, a coexistência de opostos no Inconsciente e a relação entre Perversão e Normalidade. Darwin fez da História, um Método Científico à Psicologia, com resultados igualmente surpreendentes.
O período em que Freud cursou a escola secundária, de 1865 a 1873, coincidiu com a divulgação do trabalho de Darwin no mundo de língua alemã, bem como com a publicação alemã de “A Variação de Animais e Plantas em Domesticação” e a “Descendência do Homem”. Como Freud mais tarde recordou, "as teorias de Darwin, que então eram de interesse corrente, atraíram-me fortemente, pois apresentavam esperanças de um extraordinário avanço em nossa compreensão do Mundo". Ritvo afirma que foi Carl Claus, professor de Zoologia de Freud na Escola Médica da Universidade de Viena, mais que seu professor de Fisiologia, Ernst Brücke, como até agora se julgava, quem formou Freud nos rigores da Biologia Darwiniana. Um novo capítulo da história é aberto pela revelação que Ritvo faz sobre a importância de Claus para Darwin. Ela mostra que enquanto outros exageravam ou interpretavam mal a teoria de Darwin, Claus difundia-se cuidadosamente com o primeiro Manual Darwiniano de Zoologia. Segundo Ritvo, Freud aplicou os três princípios enunciados na “Expressão das Emoções” de Darwin, em seu primeiro livro psicanalítico, “Estudos sobre a Histeria”. Ritvo encontra vinte referências positivas a Darwin ao longo dos textos de Freud.
O livro mostra lucidamente como Freud, bem formado na Biologia Darwiniana, transformou a Psicologia em uma Disciplina biologicamente enraizada: a Psicanálise. Assim, propicia uma nova base para a compreensão do trabalho de Freud.

Lucille B. Ritvo é Historiadora da Ciência e da Medicina.