segunda-feira, 18 de maio de 2009

PENSANDO O PENSAMENTO: EUS EM MIM


O Pensamento, indiscutivelmente, é uma legítima produção do Psiquismo.


Normalmente funcionando no automático, o Pensar inicia-se como forma defensiva contra nossas frustrações cotidianas: pensamos “certo” ou “errado”; justificamos nossas culpas e nossos méritos; projetamos no Outro e reagimos instantaneamente a essa imagem de nós mesmos; reprimimos nossas formas preconceituosas ou argüimos nossos pré-conceitos; confundimo-lo com o Raciocinar; e mais algumas bateladas de coisas que poderíamos acrescentar a uma lista que tenderia ao infinito.


Mas, questiono-me: Para além do automático, será que usamos com precisão e aproveitamento o Pensamento?


Se aprofundarmos a questão, partiremos do princípio que o Pensamento é, antes de tudo, um diálogo interno entre Eus que coabitam o espaço em Mim.


Em um sentido psicanalítico, este diálogo interno que gera o Pensar, deveria produzir um desencontro, uma ruptura de sentidos possíveis em uma espécie de rodopio e crise de desconstrução.


Desencontro, Ruptura, Rodopio e Crise Desconstrutiva que, para além de uma função meramente defensiva contra representações destoantes e dissonantes do Eu Cotidiano, nos pouparia de negligenciar energia psíquica em discursos sofistas ou tautológicos.
Pois que no desencontro de meus Eus encontro meu possível; na ruptura de meus sentidos, surge o inesperado em mim (essa eterna aventura de e do Ser); no rodopio que me desconstrói, apresentam-se novos ângulos possíveis de e para minhas formas de olhar.


Portanto, não maltratemos mais o Pensamento... Pensemos antes em “curá-lo” de certa psicopatologia do automático.