quinta-feira, 9 de abril de 2009

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: A MULHER QUE COLECIONAVA-SE AOS PEDAÇOS

Conta-se em Límbia, pois que o povo de lá gosta de contar e ouvir histórias, que em um certo momento perdido no tempo, houve uma criança que aprendeu que o valor das coisas era muito importante e representativo para as pessoas.

A tal criança desenvolveu então, a idéia de que as coisas representavam o valor das pessoas.

A criança cresceu mulher e começou a colecionar coisas que representavam e indicavam seu valor para os que tivessem bom gosto para admirar.

Para os pés, vários pares de sapato, de salto baixo à salto alto, feitos pelos maiores artesãos da região... Para o corpo, belas roupas de grife, de camisas à vestidos... Para os membros, jóias de todos os tipos, desde que fossem adquiridas pelo valor mais alto possível, de acordo com o alto padrão com que eram feitas... Para a cabeça, além dos adornos costumeiros de trato com o cabelo, algumas belas bolsas, pois que é fato, pelo menos em Límbia, que quem desejar conhecer a cabeça de uma mulher, que conheça o que esta carrega na bolsa.

O tempo foi passando e a coleção de valores aumentando...

Um belo dia, as coisas de valor se revoltaram contra o corpo da mulher... Lutaram e conquistaram indepêndencia.

Pois conta-se que até hoje, no shopping de Límbia, naquela lojinha de antiguidades esquecida no canto nenhum, na esquina não sei de onde, ainda paira o corpo da mulher, pendurado em um cabide, com um certo desconto, esperando um comprador.

Confirmo a história com meus próprios ouvidos, presentados por Ninguém, que é como os habitantes de Límbia se autodenominam.

DADOS CARTOGRÁFICOS
Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e outras ficções freudianas. Casa do Psicólogo, São Paulo, p.34